Classificação dos estados depressivos

Os estados depressivos não são uma entidade monolítica invariável. Se se aceitarem as classificações feitas até agora, ver-se-á que foram descritos mais de cem tipos depressivos que se supõem diferentes uns dos outros.

Realmente, esta abundância classificativa não fez mais que confundir os profissionais no respeitante às consequências dos diagnósticos e às terapêuticas lógicas.

É certo que os estados depressivos apresentam uma grande riqueza no referente à variabilidade clínica, mas também é certo que muitos subgrupos não são senão distintas manifestações do mesmo ou diferentes apreciações de diversos profissionais.

É necessário ter em conta que para classificar é preciso antes identificar, observar e concretizar. Em psiquiatria este processo pode chegar a ser tão subjectivo que justifique a falta de acordo entre investigadores e médicos de diferentes países ou de distintos centros de investigação no interior de um mesmo país, tal como ainda hoje acontece.

Mas talvez o factor determinante levando a tornar mais homogéneos os grupos depressivos tenha sido a necessidade da indústria farmacêutica em alcançar um consenso estável entre investigadores antes de avaliar a eficácia real de um fármaco anti-depressivo.

Esta necessidade teve como consequência a identificação de subgrupos depressivos concretos podendo responder melhor a este ou aquele anti-depressivo.

Actualmente, há investigações destinadas a identificar indicadores biológicos, bioquímicos, neurofisiológicos e genéticos orientando-se de ante-mão para fármacos mais específicos.

Estes esforços, sem dúvida positivos, possibilitaram ganhos em coerência, mas talvez à custa de se perder riqueza descritiva e certa precisão clínica nas áreas da operatividade.