Conteúdo do pensamento
Os pensamentos do indivíduo depressivo caracterizam-se essencialmente pelo seu pessimismo total. Considera-se incapaz e auto-recrimina continuamente o seu passado e o seu presente. Dois dos seus temas frequentes são a morte e o suicídio.
O depressivo sente-se culpado e procura a causa do seu mal-estar em erros cometidos no passado. Anula a importância de tudo em que teve êxito.
Quadro 10
Conteúdo do pensamento |
Cismas obsessivamente pessimistas |
Ideias de morte e de suicídio |
Autocríticas e sentimento de culpa |
Vazio, esterilidade e falta de lembranças |
Ideias de ruína económica |
As autocríticas ao seu passado incrementam-se graças aos acontecimentos presentes: diminuição das suas qualidades laborais e empobrecimento das suas relações familiares. Além disso, pensa que esta diminuição das suas aptidões é um castigo pelos seus erros passados.
Nalguns pacientes o sentimento de culpa relaciona-se com factos reais e, consequentemente, verifica-se uma distorção da realidade.
Outros pacientes culpam-se de coisas que nada têm a ver com eles. Consideram-se inclusivamente responsáveis pelos problemas dos outros.
Em geral, neste tipo de pacientes dá-se a tendência de remoer e cismar em torno de um só tema: a sua doença. Perguntam-se se continuarão assim toda a vida ou se vale a pena viver. Daqui que a morte e o suicídio sejam neles os temas mais recorrentes. Procuram erros do passado justificativos da sua situação actual.
São presas de uma sensação de vazio, de esterilidade. Não lhes ocorre nada que não seja a sua própria doença.
A diminuição da sua capacidade laboral e o empobrecimento das suas relações familiares podem desenvolver o seu sentimento de culpa, pois pensam ser vadios, não cumprindo as suas obrigações, ser maus pais e maus esposos. Também aumentam este sentimento de culpa os conselhos que recebem das pessoas mais próximas: «anima-te, tudo depende da tua vontade», «de que te queixas se tens tudo?», «isto resolve-se com uns copos».
Finalmente, os indivíduos depressivos podem chegar a pensar-se arruinados economicamente, ainda que estes pensamentos se não justifiquem.