Depressão e cannabis

Existe a ideia errónea e muito generalizada de que o consumo de cannabis (marijuana ou haxixe) é inócuo e não se repercute negativamente na saúde.

À margem das alterações respiratórias que padecem os consumados fumadores de cannabis, o seu sistema nervoso central é o mais afectado.

Em indivíduos predispostos à depressão, o consumo de cannabis pode desencadear verdadeiros episódios psicóticos (de tipo esquizofreniforme), que na maioria dos casos são de breve duração (poucas horas), mas que noutros casos põem em funcionamento um processo psicótico demorando a desaparecer e requerendo um tratamento com fármacos antipsicóticos.

Também há casos em que, devido a certa predisposição biológica, a cannabis desencadeia crises de angústia que têm diferentes respostas fisiológicas (taquicardia ou aceleração cardíaca, dispneia [dificuldade em respirar], sensação de enjoo, tremuras, suores) e sensações de morte e/ou de medo ao descontrolo.

Se a situação se repete, alguns destes pacientes podem sofrer fobias de diversa intensidade.

Quando o consumo de cannabis é elevado, os indivíduos apresentam um quadro clínico complexo, pois se encontra afectado o sistema nervoso central. Este quadro pode confundir-se com uma depressão. O certo é que estes indivíduos tornam-se apáticos, carecem de energia, tornam-se passivos, têm falhas de memória e de concentração, carecem de aptidões para o trabalho, não têm capacidade para tomar iniciativas ou decisões. E isto dá lugar a que algumas pessoas (sobretudo as que ocultam os seus hábitos), sejam erroneamente consideradas depressivas e tratadas com anti-depressivos, quando a melhor terapia é sem dúvida conseguir que deixem de consumir cannabis.