Depressões e idade cronológica
Ainda que a depressão se apresente, sobretudo, entre os trinta e os cinquenta anos, configurando os quadros que abordaremos no capítulo dedicado aos sintomas, em qualquer etapa da vida pode haver depressões.
Por outro lado, tanto na infância como na velhice há depressões com características próprias de cada uma destas idades.
Depressões durante a infância
Ainda não há muito tempo pensava-se serem excepcionais as depressões infantis e apresentarem-se em um de cada mil indivíduos. Estudos melhor elaborados puseram em relevo nos últimos anos que 1,9 % das crianças padece distúrbios depressivos maiores e que de 2 a 17 % apresentam sintomas relacionados com a tristeza.
A verdade é que as crianças poucas vezes possuem mecanismos de conhecimento suficientes para verbalizar os seus estados de ânimo; manifestam as suas depressões com distúrbios de apetite, isolamento social, fobias escolares, vómitos, insónia, fadiga excessiva, escasso aumento de peso, etc.
A depressão durante a velhice
A senectude é uma etapa da vida com características biológicas e sociais peculiares. No cérebro do ancião modifica-se a quantidade de neurotransmissores, os neuro-receptores têm diferente sensibilidade e o número de neurónios diminui notavelmente. Este último fenómeno influindo sobretudo na memória e na atenção demonstrou-se mediante contagens computorizadas. No resto do organismo há também mudanças: os rins diminuem a sua capacidade de excreção, o fígado vê atenuada a sua capacidade de metabolização. E tudo isso assume grande importância no caso de pacientes recebendo tratamento farmacológico.
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