Depressões endógenas

Como o seu nome indica, estas depressões partem de dentro para fora. Não se produzem por acontecimentos psicossociais externos, mas relacionam-se com uma vulnerabilidade específica do próprio psiquismo do paciente.

O termo endógeno equivale a primário e deve entender-se como a manifestação depressiva sem uma causa que, ao menos aparentemente, a justifique. Os casos mais típicos destas depressões são as bipolares e as unipolares recorrentes, nas quais as fases aparecem de maneira espontânea, sem que o médico, os familiares ou o próprio paciente as expliquem. Nestes casos é característico o comentário: «Não compreendo. Não tenho problemas com a família. O trabalho corre bem. Tenho tudo o que preciso. Não me dói nada e, apesar de tudo, sinto-me muito triste.»

Ainda que pareça claro, o termo «endógeno» apresenta dois inconvenientes para ser totalmente aceite:

  • Algumas pessoas que padecem depressões não endógenas desenvolvem um quadro clínico exactamente igual ao dos padecimentos endógenos sob algum acontecimento capital de muito peso (morte de um familiar, problemas económicos, conflitos sentimentais, etc.) e respondem ao tratamento farmacológico tão bem quanto os indivíduos com depressões endógenas, ainda que a causa do seu padecimento não esteja ainda eliminada.
    Esta situação levou muitos médicos a afirmar: «Nesta vida, mais importante que o próprio problema é a capacidade do indivíduo para, em cada momento, se enfrentar a si próprio.» É uma característica própria do depressivo endógeno, numa fase de normalidade do estado de ânimo, responder com exactidão e serenidade às dificuldades, ainda quando sejam de grande monta; e pelo contrário, numa fase depressiva, ser incapaz de enfrentar essas mesmas dificuldades e inclusivamente outras de menor relevo.
  • Para falar das reacções do estado de ânimo e da importância dos acontecimentos, é fundamental ter em conta que podem variar muito de um indivíduo para outro, de uma raça para outra e de um nível sociocultural para outro.