Distúrbios do sono
Em geral, o indivíduo depressivo tem dificuldades em conciliar o sono, e uma vez que o consegue pode-se dizer que dorme de maneira inquieta e superficial tendo, amiúde, pesadelos sobre temas catastróficos.
O seu sono interrompe-se duas ou quatro horas após o haver conciliado. Acorda horas mais cedo que o costume sem possibilidades de tornar a adormecer.
Quadro 6
Distúrbios do Sono |
Impossibilidade de dormir |
Sono inquieto |
Sono superficial |
Pesadelos de tema catastrófico |
Interrupção do sono duas ou quatro horas depois de o ter conciliado |
Despertar prematuro e incapacidade para voltar a dormir |
Hipersónia ou excesso de sono (nas depressões atípicas) |
Este tipo de insónia, que se caracteriza mais pelo facto de que o indivíduo depressivo acorda de madrugada que pela dificuldade em 'conciliar o sono, permite o diagnóstico diferencial com outros mal-estares psiquiátricos e, sobretudo, com os transtornos ansiosos. Neste último caso o traço essencial é a dificuldade em conciliar o sono, mas uma vez que o paciente alcança este objectivo, já não tem problemas para o preservar, pois, certamente, não acorda de madrugada.
Esse despertar precoce várias vezes assedia o indivíduo depressivo empenhado em voltar a dormir a todo o custo. E é precisamente durante essas horas de insónia que os pensamentos negativos o assaltam com maior intensidade e crê que o seu problema não tem solução. Talvez devido a isto, alguns pacientes que querem «libertar-se» e não pensar abusam dos fármacos hipnóticos e ao fim de pouco tempo estes deixarão de fazer efeito.
Em casos excepcionais, como os das chamadas depressões atípicas, em vez de insónia pode ter lugar a hipersónia ou excesso de sono e então os pacientes querem dormir e dormem mais que o habitual. Quando este traço clínico se manifesta durante uma depressão, considera-se uma boa resposta aos anti-depressivos inibidores da monoaminoxidase (IMAO).