Depressões durante a infância

A senectude é uma etapa da vida com características biológicas e sociais peculiares. No cérebro do ancião modifica-se a quantidade de neurotransmissores, os neuro-receptores têm diferente sensibilidade e o número de neurónios diminui notavelmente. Este último fenómeno influindo sobretudo na memória e na atenção demonstrou-se mediante contagens computorizadas. No resto do organismo há também mudanças: os rins diminuem a sua capacidade de excreção, o fígado vê atenuada a sua capacidade de metabolização. E tudo isso assume grande importância no caso de pacientes recebendo tratamento farmacológico.

Do ponto de vista social, o indivíduo torna-se, de um dia para o outro, laboralmente improdutivo. Amiúde modifica o seu status dentro da família, e o sentimento de incapacidade para iniciar novas tarefas ou para se iludir com novos projectos aparece com frequência.

Estas mudanças biológicas e sociais dão lugar a que certas depressões apresentem também aspectos clínicos e terapêuticos diferenciados.
É certo que a depressão no ancião pode manifestar-se exactamente da mesma forma que na idade adulta. Quando assim sucede o diagnóstico não é complicado e segue os trâmites que veremos mais adiante.

Todavia, apresenta-se às vezes com características capazes de confundir os familiares e o médico. É o caso da pseudodemência depressiva e das depressões involutivas (veja-se quadro 3).

Quadro 3

Características das Depressões Senis

Pseudodemência depressiva
- Alteração da memória
- Alterações da capacidade de concentração
- Desorientação espacial e temporal
- Confusão
- Inibição motora
- Alterações da leitura, do cálculo e da expressão

Depressão involuliva
- Maior ansiedade
- Hipocondríase
- Histrionismo
- Atitudes negativas
- Maior resistência a responder ao tratamento com anti-depressivos
- Provavelmente, maior tendência ao suicídio


A pseudodemência depressiva

Nestes casos produz-se antes do mais uma diminuição das chamadas funções integradoras superiores. O doente é amiúde vítima da confusão. Comete erros no que respeita à sua orientação temporal e espacial: não sabe em que dia ou época nem em que lugar se encontra. Falta-lhe também a orientação de si próprio: engana-se ao recordar a sua idade, o seu domicílio, os nomes dos seus familiares mais próximos. A memória - sobretudo dos factos mais recentes - e a atenção estão muito diminuídas. Também são afectadas as suas capac-idades de leitura, de cálculo e de expressão.
Dado serem os sintomas recém-citados mais visíveis e evidentes, muitas vezes mascaram o substrato depressivo que os sustém e não se distinguem ou simplesmente consideram-se menos relevantes os sintomas característicos da depressão.

Originou isto graves confusões e levou a diagnosticar como dementes senis anciãos que sofriam uma depressão.

A depressão involutiva

O termo depressão involutiva utiliza-se para designar aquelas depressões aparecendo durante a velhice em indivíduos que carecem de antecedentes depressivos. Nestes casos, além disso, aos típicos sintomas depressivos acrescenta-se uma marcada atitude negativa, caracterizada por hipocondria (preocupação excessiva com a própria saúde), histrionismo (conduta teatral), maiores manifestações de ansiedade e uma peculiar resistência a responder positivamente aos habituais tratamentos anti-depressivos.

Frequentemente se disse que estes pacientes são especialmente inclinados aos actos suicidas, mas não existem estudos autorizados confirmando tal opinião.