Efeitos secundários ou adversos
Como vimos, as moléstias derivadas dos efeitos secundários do fármaco são a causa mais frequente do abandono do tratamento farmacológico e, o que é pior, da negativa ou reticência a qualquer tipo de tratamento.
Um conceito prévio tem de ser muito claro: quase todos os fármacos úteis têm efeitos secundários. Contudo, estes efeitos costumam ser transitórios, controláveis e de pouca importância comparados com o benefício que proporcionam.
Não devemos esquecer que muitos analgésicos e antibióticos provocam mal-estar do estômago. Mas este mal-estar é menor quando este tipo de medicamentos se toma durante as refeições, ou quando se protege o tubo digestivo com fármacos adequados (alcalinos, antiulcerosos, etc.), e é de menor importância se se compara o efeito curativo ao mal-estar.
Com os anti-depressivos acontece exactamente o mesmo. A maioria dos sintomas são leves, transitórios e toleráveis comparados com o sofrimento que significa viver uma depressão.
Convém que o paciente conheça de antemão os efeitos adversos que podem manifestar-se. Mas, insistimos uma vez mais, é necessário que o paciente, ao notar qualquer efeito não conhecido ou demasiado intenso, comunique com o médico e de forma alguma abandone o tratamento.
Efeitos secundários mais frequentes dos heterocíclicos
• Secura da boca
• Prisão de ventre
• Transpiração excessiva
• Sufocações
• Incómodos ao urinar
• Midríase (dilatação das pupilas)
• Palpitações ou taquicardia
• Diminuição'do desejo sexual, atraso na ejaculação e anorgasmia (ausência de orgasmo)
• Aumento de apetite e de peso.
Os anti-depressivos clássicos - denominados heterocíclicos - dão, amiúde, lugar a efeitos chamados anticolinérgicos - devido ao efeito contrário à acetilcolina, que é também um neurotransmissor básico -. Este efeito anticolinérgico é responsável pela maioria dos efeitos doentios que, no entanto, diminuem com o tempo e, em geral, são leves. Os efeitos anticolinérgicos afectam todo o organismo.
Anti-depressivos como a fluoxetina ou a fluvoxamina são alheios à maioria destes efeitos, mas causam por vezes incómodos digestivos.
Efeitos menos frequentes dos heterocíclicos
• Discrasias hemáticas ou alterações (quase sempre diminuição) dos glóbulos brancos, dos glóbulos vermelhos e das plaquetas
• Íleo paralítico (interrupção dos movimentos intestinais)
• Galactorreia (secreção das glândulas mamárias)
• Alterações menstruais
• Agravação do glaucoma (aumento da pressão intraocular)
• Alteração da condução cardíaca (quase sempre no caso de doentes com problemas cardíacos prévios).
Efeitos secundários mais frequentes dos IMAOS
Com os inibidores da monoaminoxidase (IMAOS) os efeitos secundários mais frequentes não carecem de importância:
• Insónia
• Aumento de apetite e de peso
• Diminuição da tensão arterial
• Secura da boca
• Diminuição do desejo sexual, atraso na ejaculação e anorgasmia.
Estes efeitos desaparecem ao terminar o tratamento ou quando diminui a dose, e quase nunca justificam a supressão do fármaco antes do tempo previsto.
Em pacientes especialmente predispostos ou no caso de outras doenças acrescentadas podem aparecer efeitos adversos menos frequentes que, nalguns casos, pelo risco que contêm, podem obrigar a suspender o tratamento.