Escolha do anti-depressivo

A escolha de um fármaco de eficácia similar a outro depende às vezes do momento da decisão, do conhecimento que tem o médico dos fármacos, e inclusive de modas. Contudo, ao ler-se a literatura publicada, é possível encontrar duas normas de sentido comum que se não devem esquecer:

• Investigar os antecedentes pessoais de resposta aos fármacos. Em geral, poderá dizer-se que se um paciente respondeu bem a determinado fármaco em ocasiões anteriores, a norma é que responda igualmente em semelhante situação posterior.

• Ter em conta o estado físico prévio do paciente. Os anti-depressivos não estão isentos de produzir efeitos adversos, com os quais se poderiam agravar afecções prévias do paciente. O conhecimento dos efeitos secundários de cada tipo de anti-depressivo elucidará a escolha.

Por outro lado, relacionaram-se grupos de sintomas com uma provável melhor resposta a certos anti-depressivos.

• Sintomas sugerindo uma boa resposta aos anti-depressivos tricíclicos.

- Despertar de madrugada ou despertar precoce
- Anorexia com perda de peso
- Pioras matinais
- Inibição motora
- Personalidade prévia normal
- Incapacidade de irradiação e de sintonização afectiva.

• Sintomas sugerindo uma boa resposta aos IMAOS.

- Hipersónia (excesso de sono)
- Bulimia (excesso de apetite)
- Sintomas de ansiedade associados
- Pioras vespertinas
- Personalidade prévia ansiosa.

Ante uma depressão típica e severa há que escolher, em princípio, a imipramina, a clomipramina ou a amitriptilina. Todavia, também os novos anti-depressivos - especialmente a fluoxetina e a fluvoxamina - demonstraram ser eficazes. Pelo contrário, ante uma depressão atípica há que escolher os, IMAOS. Em particular a fenelzina, que é a substância mais experimentada e que tem menos efeitos adversos.