Frequência das Depressões

A depressão é um dos males que com maior frequência os médicos tratam. Considera-se que de 10 a 20 % dos adultos apresentam sintomas depressivos e que de 2 a 5 % da população em geral sofre depressões que, sob o ponto de vista médico, podem ser claramente diferenciadas como entidade clínica.

Isto significa que de 4 a 8 milhões de espanhóis manifestam sintomas depressivos e que de oitocentos mil a 2 milhões padecem verdadeiros transtornos depressivos. Se extrapolarmos estas percentagens à população do planeta, o número de indivíduos com sintomas depressivos ou que padecem verdadeiros transtornos depressivos aumenta espectacularmente.

No entanto, para impedir erros de apreciação há que ter bem presente que com certa frequência há nos indivíduos reacções - como sentimentos de infelicidade, desmoralizações ou desânimos - que fazem parte da vida quotidiana, e que, conquanto indesejáveis, não devem ser etiquetadas como doenças. Apenas certos. comportamentos, que por agora só podem ser descritos clinicamente, mas que com o tempo serão objecto de novas abordagens, devem considerar-se propriamente depressivos.

Ainda quando o número de pessoas sofrendo este padecimento seja extremamente elevado mais elevado, por exemplo, que no caso da diabetes -, surpreende saber que são muito poucas as pessoas decidindo-se a pedir ajuda médica. Este comportamento explica-se de muitas e diversas maneiras, mas basicamente obedece a duas razões:

  • Há casos em que o paciente não identifica o seu padecimento e, sem dar conta, permite que o transtorno se oculte sob mal-estares orgânicos, como dores de cabeça, problemas digestivos ou sequelas de uma intervenção cirúrgica.
  • Há casos em que a pressão sociocultural e a educação recebida levam o indivíduo à conclusão de que «ele, sozinho, deve e pode resolver o problema».

Por estas razões, sabe-se que só 2 % das pessoas que padecem de depressões recorrem ao médico de clínica geral e unicamente 0,3 % se dirige ao psiquiatra.

Também se sabe que, de entre os pacientes que recorrem ao médico de clínica geral por diversos problemas somáticos, entre 10 a 20 % sofrem transtornos depressivos de carácter grave. Logicamente, entre os indivíduos que recorrem ao psiquiatra a proporção dos que padecem deste tipo de transtornos é mais elevada e calcula-se que mais de metade deles sofre algum transtorno depressivo manifestando-se em qualquer das modalidades que indicaremos.