Hospitalização
Por vezes torna-se difícil compreender por que razão um doente que se não deve operar nem tem uma incapacidade física impeditiva deve hospitalizar-se.
Considera-se que grande número de depressões são entidades médicas requerendo vigilância, observação e um tratamento por vezes estritamente atento.
A isso acrescentaremos um traço peculiar de alguns depressivos, que é o «desejo da morte», entendido pelo doente como uma libertação dos seus sofrimentos. Há pois que ter em conta o risco de suicídio.
Alguns autores afirmam que o suicídio constitui 60 % das causas da morte nos depressivos endógenos durante os sete primeiros anos de doença.
Assim pois o elevado risco de suicídio é uma das razões prioritárias para o internamento do paciente depressivo. Detectar este risco nem sempre é fácil, ainda que não seja raro o sujeito deixar entrever os seus desejos, quer espontaneamente, quer em resposta às perguntas do médico.
Os estudos até hoje realizados detectaram entre os depressivos uma série de factores de maior risco, permitindo construir um retrato robot do potencial suicida. Geralmente, trata-se de homens vivendo sós, com mais de cinquenta anos, frequentemente consumindo álcoo1, com projectos anteriores fracassados e com um plano bem elaborado. A descoberta destes factores de risco num paciente depressivo aconselha.pronta hospitalização.
Mas não só o possível suicida carece de um internamento hospitalar; outras condições, a seguir resumidas, aconselham outros sim tal medida.
• Quando o estado físico do doente o requer: alguns pacientes sofrem doenças médicas associadas à depressão complicando enormemente o tratamento; em tais casos, impõe-se um controlo estrito da sua doença e dos possíveis efeitos secundários da medicação antidepressiva.
• Nalguns depressivos resistentes: sobretudo existindo a suspeita de que o tratamento não está a ser cumprido total ou parcialmente.
No estupor melancólico: o total bloqueio motor e volitivo impede o paciente de se alimentar ou manter as mínimas condições de higiene, podendo originar desidratação, caquexia, sobreinfecções respiratórias, etc.
• Em depressões delirantes: nelas os sentimentos impróprios de culpa, ruína ou inutilidade desencadeiam amiúde uma forte ideologia suicida.
• Em indivíduos vivendo sós e isolados da comunidade. As garantias de que seguirá o tratamento não são suficientes e a falta de suporte sociofamiliar aumenta o risco de suicídio.
• Quando se torna aconselhável separar o depressivo de um meio hostil ou pouco compreensivo: algumas famílias estimulam os sentimentos de culpabilidade ou «aconselham» trabalhos e objectivos absolutamente irrealizáveis para o depressivo na fase mais profunda da sua doença. Nestes casos o mais adequado é isolar o depressivo deste ambiente reforçando a sua doença e,inclusivamente restringir as visitas durante o seu internamento.