O modelo cognitivo

Em psicologia utiliza-se o termo cognição para definir o processo mental que transforma, elabora, armazena, regista, sintetiza e amplia tanto os inputs («entradas») sensoriais internos como externos. Esta era a opinião de Neisser em 1967 e a de Broadbenit em 1971. Segundo afirmou McHoney em 1977, os processos cognitivos abarcam muitas funções psíquicas: a percepção e a memória, o pensamento e a linguagem, as crenças e as atitudes e ainda a conduta no que se refere à situação de problemas.

De acordo com o assinalado por Peters em 1970 e por Izard em 1972, com o cognitivismo produz-se um novo movimento na psicologia. Em virtude deste movimento, a percepção e o pensamento unem-se mais intimamente para determinar, uma vez valorizada a situação estimulante, os efeitos que são consequência do processo valorizado.

O modelo cognitivo elaborado por Beck em 1970 e em 1976 atribui um papel fundamental ao pensamento e à opinião dos pacientes depressivos no desenvolvimento e manutenção da depressão. Segundo Beck, cada pessoa tem um «esquema», uma forma de pensar com que foca e experimenta a vida. Beck sugeriu também que existe uma alteração prévia na maneira de pensar que, precisamente, provoca o desenvolvimento da alteração do estado de ânimo.
De acordo com Beck, as pessoas desenvolvendo uma depressão têm esquemas de autodesprezo e de auto-acusação, levando-as a rotular ou interpretar os acontecimentos ajustando-se a esses esquemas prévios.

Entre as maneiras de pensar que Beck considera características dos pacientes depressivos, podem-se enumerar as seguintes: a subestima de si mesmo, as ideias de perda, a autocrítica e a autoculpabilização, as ideias exageradas do dever e da responsabilidade, frequentes auto-imposições, mandatos e desejos de fugir e de se suicidar.

Os principais erros lógicos em que incorrem os pacientes depressivos são, segundo Beck, os seguintes:

  • As deduções arbitrárias. Trata-se da tendência de tirar conclusões de factos irrelevantes.
    Exemplo: o estudante que não entende qualquer coisa que lhe perguntam no exame e pensa, por consequência, que nunca ficará aprovado.

  • A abstracção selectiva. Esta atitude consiste em concentrar-se num aspecto da situação tomado fora do contexto e levado ao exagero.
    Exemplo: a rapariga à qual o seu amigo faz o comentário de que a saia que leva não lhe fica bem e, a partir desta observação, ela decide que é feia, que nada lhe fica bem e que é impossível poder agradar aos outros.

  • A generalização excessiva. Este erro é consequência de chegar a conclusões de carácter geral fundadas em experiências ou acidentes concretos, amiúde de escassa importância.
    Exemplo: a pessoa que durante uma viagem de Madrid a Barcelona vomita no carro e cisma que sempre que fizer uma viagem, mesmo breve, lhe acontecerá a mesma coisa.

  • Os erros que consistem em minimizar ou em supravalorizar, respectivamente, as próprias qualidades e defeitos. É o caso das pessoas que exageram as suas dificuldades e as suas limitações e minimizam os seus êxitos e capacidades.
    Exemplo: o indivíduo que desempenha um papel de responsabilidade e pensa que não o faz bem e que, além disso, os seus chefes apenas por consideração o não despedem.

  • Os imperativos categóricos, tais como «devo» ou «tenho que», fecham a possibilidade de outras condutas alternativas.
    Exemplo: expressões tais como: «deveria ser mais generoso com os outros», «não deveria enganar-me nunca», «tenho que ser melhor amigo, pai ou marido».

Todos estes erros cognitivos fazem que o indivíduo tenha uma visão negativa de si próprio, das experiências passadas e presentes e das suas expectativas perante o futuro.

Para Beck as desordens depressivas são o resultado da atenção selectiva prestada a um grupo de pensamentos que aparecem de forma automática no indivíduo sem que os perceba adequadamente. Estes pensamentos específicos caracterizam-se por ser irracionais. São mensagens compostas por poucas palavras ou, em certos casos, por apenas uma imagem visual. Entram de chofre na mente e frequentemente se exprimem em termos tais como: «havia de», «teria que» ou «deveria ... ». São pensamentos que tendem à dramatização.

Pensamentos assim geram emoções dolorosas e desagradáveis, e para os evitar é fundamental que o indivíduo os entenda e os modifique.