Moléstias somáticas
Com muita frequência apresentam-se pacientes que durante meses e mesmo durante anos recorreram inutilmente aos consultórios médicos em busca de solução para as suas moléstias somáticas. E se os tratamentos habituais não tiveram qualquer êxito isso se deve a que, na maioria dos casos, se tratava de neuroses histéricas ou de indivíduos apresentando depressões.
Quadro 13
Moléstias somáticas |
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Distúrbios do sono |
Anorexia |
Fadiga |
Dores nas articulações e músculos |
Boca seca |
Taquicardia |
Disfunção sexual |
Vómitos, náuseas |
Prisão de ventre ou diarreia |
Sufocação |
Transpiração (especialmente nocturna) |
Hipersensibilidade ao ruído |
Dores de cabeça |
Sensação de angústia precordial |
O diagnóstico da histeria realiza-se a partir dos traços psicopatológicos mais clássicos: mitomania, psicoplasticidade (isto é, aptidão para desenvolver síndromas patológicas), conduta sedutora acompanhada de frigidez e atitude indiferente ao manifestar as suas moléstias. Este último traço caracteriza-se por uma indiferença totalmente inadequada quando relatam e ainda quando sofrem alterações penosas como a paralisia e a cegueira histérica.
O paciente depressivo está sempre seriamente preocupado com as suas moléstias e irradia esta preocupação. Por sua vez, os que sofrem histeria podem pôr em primeiro plano os sintomas somáticos e talvez só depois de exaustivo interrogatório admitir acharem-se abatidos ou serem emotivamente frágeis. Por vezes o paciente nega a sintomatologia psíquica indispondo-se ao sugerirem-lhe a possibílidade das suas moléstias carecerem de base orgânica.
Em medicina, são muito importantes as depressões dissimuladas. Calcula-se que aproximadamente 50 % dos pacientes depressivos oculta assim os seus males. É muito comum, por via disso, os seus sintomas confundirem-se com os da ansiedade ou os da hipocondria (preocupação exagerada com o estado de saúde). Nestes casos um tratamento erróneo com ansiolíticos e/ou psicoterapia pode perpetuar o quadro e dar lugar a que o paciente pense não resultarem os psicofármacos por sofrer de uma enfermidade orgânica. O tratamento adequado faz-se com anti-depressivos. Além disso, convém advertir o paciente acerca dos efeitos secundários que se podem apresentar, em especial durante as primeiras semanas de tratamento.