Porque sofrem as mulheres mais depressões?

Enquanto nas depressões bipolares a proporção homem/mulher é muito semelhante, não sucede o mesmo no caso das depressões menores nem no das unipolares, dado que nestas duas últimas a frequência das depressões é de um homem por cada duas mulheres.

três razões básicas que poderiam explicar aceitavelmente esta evidência:

  • As mudanças neuro-hormonais - como as que se dão durante a gravidez, o parto, o pós-parto e a perimenstruação - poderiam provocar mudanças biológicas e psíquicas que favoreceriam o desenvolvimento da doença depressiva.
    Neste ponto há dois casos que servem de exemplo: o das típicas depressões pós-parto e o da chamada síndroma de tensão pré-menstrual.
    Sem dúvida, em ambos os casos também podem coexistir factores sociais, psicológicos e culturais favorecendo o distúrbio. Não é de estranhar deprimir-se uma jovem mãe que além de ter um filho de um ou dois anos, regresse a casa após o parto com um recém-nascido, e tenha de executar, quase exclusivamente, as tarefas domésticas. Mas também é certo que, às vezes, após o parto se produzem episódios maníacos ou depressivos com características definitivamente endógenas.

  • Ainda que cada vez menos aceite, o papel social assinalado até hoje à mulher foi um papel marginal, com poucas gratificações sociais e económicas e possuindo escassa importância, dado lhe corresponderem as tarefas mais rotineiras. Tudo isto poderia induzir a condutas passivas e dependentes que, no mundo de hoje, aumentam as possibilidades de distúrbios depressivos.

  • Por razões socioculturais, a educação recebida por homens e mulheres na sociedade ocidental pode refluir em dois factos: serem as mulheres mais propensas a viver e ainda a reconhecer estados de desânimo, tristeza e desmoralização e, sobretudo, estarem dispostas a aceitar as suas depressões.
Como consequência deste mesmo factor educativo, os homens talvez tendam mais a manifestar a sua depressão por vias como o alcoolismo, a agressividade ou as somatizações (problemas digestivos e dores de cabeça) e a mascarar assim sentimentos considerados pouco masculinos.