Preocupações do indivíduo depressivo
As depressões têm cura?
A grande maioria dos episódios depressivos têm cura. Só uma reduzida percentagem destas se converte em «depressão resistente» ou em «depressão crónica».
• Remissões espontâneas. Tomemos como exemplo o caso das chamadas remissões espontâneas, quer dizer, daquelas depressões desaparecendo ou cedendo na sua sintomatologia sem necessidade de uma intervenção terapêutica.
As remissões espontâneas são frequentes no caso dos distúrbios bipolares ou maníaco-depressivos. Na maioria dos casos, os doentes passam de um estado depressivo a um estado maníaco, ainda que por vezes a avaliação momentânea decorra de um estado depressivo para outro normal. Estas remissões espontâneas - apresentando-se várias vezes por ano no quadro de uma depressão bipolar - dão frequentemente origem a um mau prognóstico, visto fazerem parte dos chamados «cicladores rápidos» (pacientes passando com grande rapidez de um estado depressivo a um estado eufórico e na maioria dos casos não respondendo ou respondendo muito pouco às terapias médicas).
No quadro das chamadas remissões espontâneas ocupam um lugro: importa?te as «depressões sazonais» ou depressões que de forma característica aparecem em determinadas épocas do ano, particularmente no Outono. Curiosamente, . passada esta época os sintomas desaparecem por si sós.
• Resposta ao placebo. Chama-se placebo o medicamento que, do ponto de vista psicotrópico, é inoperante, mas se administra ao paciente fazendo-lhe crer que se lhe dá algo específico para a sua doença. Nos melhores casos obtém-se o desaparecimento da dor após a injecção de substâncias inofensivas (água destilada, vitamina B).
Disse-se que algumas respostas espectaculares a tratamentos paramédicos podem fazer parte da resposta ao placebo.
As investigações clínico-farmacológicas dos anti-depressivos levam-se sempre a cabo verificando a sua eficácia em comparação com o placebo. Tal demonstrou que 30 a 40 % dos pacientes respondem ao placebo num prazo de 4 a 6 semanas. É de destacar, pois, a importância do componente sugestivo explicando o facto de alguns pacientes responderem favoravelmente a substâncias não específicas (não antidepressivas) como os tranquilizantes e inclusivamente os antipsicóticos.
• Resposta aos tratamentos biológicos. Hoje em dia o tratamento biológico mais utilizado é o dos fármacos anti-depressivos. Em medida muito menor utiliza-se o tratamento sismoterapêutico (electrochoques; vejam-se as págs. 145-148). Nos últimos vinte anos acumularam-se evidências suficientes para saber que, no caso dos distúrbios depressivos maiores, entre 70 e 80 % dos pacientes respondem ao tratamento com fármacos anti-depressivos. Estas percentagens consideram-se, em medicina, de elevada eficácia.
Os anti-depressivos são eficazes quando se trata quer de depressões primárias quer de depressões secundárias, e ainda de outras patologias médicas ou psiquiátricas. Também respondem positivamente aos anti-depressivos as depressões disfarçadas, quer dizer, aquelas em que dominam sintomas físicos como dores de cabeça, distúrbios digestivos e dores diversas.
No caso de pacientes não respondendo ou fazendo-o de forma limitada (entre 20 e 30 %) aos anti-depressivos, reagem alguns após a aplicação deelectrochoques. Trata-se, em geral, de pacientes com ,depressões psicóticas ou com depressões unipolares de características involutivas.
Um erro muito difundido consiste em julgar que as diversas medidas terapêuticas (psicoterapia, farmacoterapia, sismoterapia ... ) são exclusivas. Independentemente da medicina terapêutica adoptada, em caso algum se deve pôr de parte a psicoterapia. É preciso dedicar tempo e paciência a ouvir o doente.