Quanto tempo deve manter-se o tratamento?

Uma vez desaparecida por completo a sintomatologia depressiva (facto que pode ocorrer entre quatro e oito semanas depois de iniciado o tratamento, e que, a não ocorrer, obriga a pensar que «qualquer coisa falhou», sendo necessário, portanto, reestruturar a estratégia) o tratamento posterior dependerá basicamente do historial psiquiátrico do paciente e de certas características clínicas.

Quando não existem antecedentes depressivos nem maníacos

Se não houver este tipo de antecedentes a administração do fármaco manter-se-á durante um período de três a seis meses. A dose diminuirá lentamente até ao fim do tratamento. Contudo, há certas características sugerindo que com o tempo o paciente desenvolva uma doença bipolar. São as seguintes:

• Início da depressão antes dos vinte e cinco anos.
• Antecedentes familiares de doença maníaco-depressiva.
• Início da depressão durante o período pós-parto.
• Euforia após o tratamento com anti-depressivos.

Se existirem duas ou mais destas características, é aconselhável um tratamento preventivo com carbonato de lítio.

Quando existem vários antecedentes depressivos

No caso das chamadas depressões recorrentes, uma vez que se solucionou o episódio, é pertinente esperar uma nova recaída ao fim de certo tempo. É, então, aconselhável continuar com anti-depressivos, em doses mais baixas, por tempo indefinido. Também são recomendáveis os sais de lítio com ou sem anti-depressivos.

Quando existem antecedentes depressivos e maníacos

Quando houver este tipo de antecedentes, o tratamento mais adequado faz-se com carbonato de lítio em doses variáveis, de acordo com a pessoa e mediante controlos hemáticos (análises de sangue) com o propósito de manter certo nível de lítio no sangue.

No caso de o mal-estar oferecer resistência e de se apresentarem recaídas apesar do tratamento com lítio, é aconselhável associar a este carbamazepina.