Voltarei a ser o mesmo de antes?

Alguns autores caracterizaram a depressão como «demência transitória». Porquê? Devido a muitos dos seus sintomas apresentarem semelhanças com os que se encontram no quadro demencial.

À semelhança do demente, o indivíduo depressivo acusa perda de memória, faltas de atenção graves e encontra-se incapacitado para fazer uma vida normal como a que levava antes do episódio. Diferentemente dos dementes, o indivíduo depressivo é plenamente consciente destas limitações, mesmo quando pensa que jamais voltará a ser o mesmo de antes, o que é totalmente falso.

Diferentemente de outras doenças psiquiátricas (como a esquizofrenia), as depressões caracterizam-se por uma recuperação total, uma vez superada a anomalia.

O paciente pode recuperar integralmente a vida que levava antes e reassumir as suas actividades laborais com a mesma eficácia, compartilhar as inquietações e os entusiasmos dos seus familiares e dos seus amigos, fazer exercícios, ter uma vida sexual satisfatória, etc.

Só no caso das depressões bipolares se observou um discreto déficit após a recuperação do paciente. Contudo, este déficit é menor que no caso das esquizofrenias. Noutros casos, repetimos, a recuperação é total e a reintegração social e profissional é plena.

Quadro 19

Respostas às perguntas formuladas pelo paciente depressivo

Na sua grande maioria, as depressões têm cura.

Habitualmente o tempo de resposta positiva ao tratamento é de quatro a seis semanas.

As recaídas são frequentes. E por isto mesmo é preciso adoptar as medidas necessárias a evitá-las.

Na grande maioria dos casos, a recuperação das funções fisiopsíquicas e sociolaborais é total.